Capítulo 20: O Que se Guarda
Eu ainda estava no banco lascado do gramado quando o silêncio finalmente me derrotou. A noite cobria os Alpes como uma manta pesada, e eu não me levantava. Não por preguiça, mas por cálculo. Sentado ali, eu não tinha que decidir nada. Valentina tinha subido a escada. A porta do Cume se fechara. O gramado era meu, mas também não era.
A pergunta que ela me fez não saía da cabeça. "Há futuro se você falar." A mesma pergunta, de forma diferente, estava no papel transparente que eu vira na mesa de Sturm. A mesma pergunta que o telefone faria, se eu tivesse coragem de disfará-lo.
Levantei. Os joelhos estalaram. O gramado artificial não guardava marcas, mas o banco de madeira tinha a lascadura do lado direito e eu a conhecia de cor. Saí do gramado e caminhei em direção ao teleférico da Base, que ficava a quinze minutos de descida pelas escadas que cortam a encosta.
As escadas não tinham iluminação. A Colina não precisava de luz artificial. As estrelas dos Alpes funcionavam como holofotes naturais, e eu as conhecia melhor do que os degraus de concreto. Cinqüenta e dois degraus da porta do Cume até a Plataforma de Acesso. Mais trinta até a Base. Eu sabia a contagem de memória, o mesmo jeito que eu sabia a contagem de passes que Vicente me daria ou não me daria no próximo treino.
O teleférico da Base era uma cabine vermelha que funcionava vinte e quatro horas, mantida por funcionários que não apareciam no painel de seguidores e que não usavam uniforme de colégio. Quem usava o teleférico fora do horário de aula era observado. Eu ia usar agora. Fora de horário. Às duas da manhã.
A cabine era pequena. Quatro lugares sentados, mas o espaço real era para dois de pé. Eu entrei e fechei a porta. O sistema de segurança da Colina não monitorava teleféricos fora do horário operacional. Sturm não gastava drones onde não esperava pessoas. Ou, no mínimo, não gastava drones onde já tinha enviado alguém antes.
Sentei no banco de metal da cabine. O metal estava gelado. Nos Alpes, àquela hora, até o interior de algo aquecido parecia ter sido deixado no congelador por uma semana. Tirei o casaco. Sentei de calça curta. O frio que entrava pelas juntas da porta não era problema. Era o que eu esperava. Frio me mantinha acordado.
O telefone de Sturm era o único que eu tinha que funcionava. Não o meu. O meu era o da escola, o modelo padrão que todos recebiam no primeiro dia, com o número de seguidores visível no ícone e a restrição de ligações internacionais bloqueada. O de Sturm era diferente. Ele não tinha número visível. Não tinha ícone de seguidores. Era o tipo de telefone que existia sem que ninguém soubesse que existia. Sturm me entregara o número dele no primeiro dia, escrito num pedaço de papel idêntico àquele papel transparente que eu vira na mesa dele. A diferença era que este eu guardara.
Liguei. Três toques.
"Pai."
A voz do outro lado não foi surpresa. Nem alívio. Nem nenhuma das emoções que eu esperava. Era neutra. Calma. A calma de quem já tinha pensado no que ia dizer e só precisava do momento certo para soltar.
"Bento."
Dois segundos de silêncio. O telefone era bom o suficiente para que o silêncio não fosse técnico. Era humano.
"Eu queria saber sobre o Raffaello."
Mais silêncio. Desta vez, eu senti que ele estava respirando do outro lado da linha. Lentamente.
"Há algo que você precisa saber sobre o Raffaello D'Angelo."
"A respeito de quê?"
"Sobre a mina."
A mina de lítio dos Andes. Eu tinha lido sobre isso no documento da Sala dos Ancestrais. Dois impérios industriais. Dois homens. Uma disputa que remontava aos anos 70. Eu sempre soube que havia uma história por trás do acordo entre meu pai e o de Vicente. O que eu não sabia era que a história era tão antiga e tão sangrenta assim.
"Bento, senta."
Eu não sentei. A cabine não tinha onde sentar além do banco de metal gelado, que já estava sentado em mim.
"Há cerca de quarenta e cinco anos, antes de você nascer, o Raffaello e eu tínhamos um negócio juntos. Não de futebol. Não de escola. De mineração. Lítio. Na altura de La Rinconada, no Peru. Nós descobrimos uma veia. Uma veia grande. A mais rica que existia no hemisfério sul naquele tempo."
O telefone pressionado contra a orelha. O metal da cabine contra a espinha. As estrelas acima. Os Alpes em volta. O mundo inteiro girando enquanto o pai de Bento contava a versão que ninguém mais tinha.
"Nós tínhamos um acordo. Meio e meio. Mas o Raffaello tinha um problema. Ele não podia aparecer. Havia questões políticas. Ele precisava de um parceiro que não fosse visível. Alguém que não tivesse nome nas revistas. Um mecânico brasileiro que ninguém ia procurar."
Meu pai. Meu pai, que consertava motores num bar na favela do Rio de Janeiro, que eu conheci como André Mendes, o cara das mãos calejadas e do cheiro de graxa que não sai. Ele tinha sido um socio de Raffaello D'Angelo. Socio de um dos maiores impérios industriais da Europa. E eu cresci achando que o que ele tinha de mais próximo de riqueza era a ferramenta que ele usava pra abrir uma cerveja.
"Eu não sabia que era o Raffaello que eu conhecia? Eu sabia. Desde o começo. Ele foi o primeiro que apareceu. Veio ao Brasil com um advogado e uma proposta. Eu aceitei. Quarenta e cinco anos atrás eu não tinha nada pra perder."
E eu. Eu tinha nascido três anos depois. Ou seja, eu carregava no sangue a história de um acordo feito por meu pai com o homem que controlava meu rival no campo. O homem que me ignorava nos treinos. O homem que me passava a bola quando eu era útil e me ignorava quando eu era ameaça.
"Depois de dez anos de mina ativa, o Raffaello teve um problema. A veia estava se esgotando. A documentação estava incompleta. E havia alguém que poderia provar que a descoberta não era nossa. Havia um fiscal. E o Raffaello tomou uma decisão."
O som da voz do André mudeu. Não foi uma mudança grande. Foi uma mudança de volume, quase nada. Mas foi o suficiente pra eu perceber que a linha entre o que ele estava me dizendo e o que ele estava guardando era finíssima.
"Ele não matou o fiscal, Bento. Mas o que ele fez foi mais sutil. Ele desapareceu. Com a veia já produtiva e a documentação falsa. Ele foi embora. E o Raffaello assumiu tudo sozinho. Eu fiquei sem nada. Sem a parte que me cabia. Sem o nome. Sem a prova."
O teleférico começou a descer. Eu nem percebi que tinha apertado o botão. A cabine se moveu devagar pela encosta, com as torres de sustentação passando por nós como postes numa estrada vazia. Cada poste era um ponto de luz que eu não podia ver. O escuro era total.
"Quando você foi ao Oratório e viu que eu estava sentado na sala de reunião com o Raffaello, o que você sentiu?"
"Confusão."
"Você sentiu que estava vendo algo que não devia. Que havia uma ligação entre nós que não fazia sentido. Você acertou."
A cabine chegou à Base. Eu não desci. Fiquei sentado. As portas se abriram sozinhas. O frio de fora invadiu a cabine. A grama da Base, diferente do gramado artificial do Cume, era natural. Era fria e úmida e tinha cheiro de terra que não era fingida.
"Há mais coisa."
A voz de meu pai ficou mais pesada. Mais lenta. Cada palavra era colocada com cuidado, como se cada uma tivesse um preço.
"Quando eu perdi tudo, eu virei o mecânico que você conhece. Sem nome, sem prova, sem história. O Raffaello nunca mais apareceu. Até que ele viu você. Você, Bento. Meu filho. Jogando futebol num colégio onde o filho dele era capitão do time. E ele entendeu. Ele entendeu que o filho do homem que ele roubou estava de um lado do campo. E ele que estava do outro."
O peso daquilo quase me fez cair do banco. Não fisicamente. De outro jeito. O tipo de peso que faz o peito apertar sem que o coração pare. O tipo de peso que não se mede em quilos.
"O Raffaello me procurou. Ele não me contou que me encontrou. Ele simplesmente me fez aparecer na sala de reuniões do Sturm. Sem que você soubesse. Sem que eu soubesse que ia acontecer. Ele queria garantir que, se houvesse algum problema no futuro, o filho de quem ele roubara estivesse do lado dele. E a única forma de garantir isso era fazer com que você jogasse no Mont Blanc."
Tudo. Tudo o que eu pensava que sabia sobre mim mesmo e sobre a minha vida se dissolveu num único instante. A bolsa. O amistoso. O olheiro. A cirurgia da mãe. A diretora do colégio que apareceu no bar. Tudo aquilo. Tudo aquilo não era o que eu achava que era.
"Eu não sabia." Eu disse. A frase saiu mais fraca do que eu esperava.
"Eu sei que você não sabia. Mas agora você sabe."
O silêncio durou um minuto. Dois. O teleférico da Base estava parado. Eu podia ver a escada que subia pra lá em cima. A escada de cinqüenta e dois degraus. A escada que eu ia ter que subir de novo. Sozinho. Sabendo.
"O que o Raffaello quer agora?"
"Ele quer que você jogue. Quer que você perca de modo que não pareça perda. Quer que você seja a peça que o Mont Blanc precisa pra continuar parecendo o que é. E quer que você nunca descubra a verdade."
"Porque ele acha que eu vou fazer alguma coisa."
"Porque você é meu filho. E eu sou o homem que ele rouba há quarenta e cinco anos."
Eu desliguei o telefone.
Não gritei. Não chorei. Não reclinei a cabeça no encosto e fechei os olhos pra processar. Fiquei sentado. No banco de metal gelado da cabine do teleférico. Na Base. A duzentos metros de altura abaixo do Cume, onde tudo o que eu achava que sabia sobre a minha vida era verdade. A menos de quarenta e cinco anos.
O telefone estava na minha mão. A tela apagada. O ícone de seguidores, desaparecido. Eu não tinha seguidores. Eu nunca tive. Aquele era um telefone que funcionava fora do sistema. Fora das regras. Fora do que eu conhecia. E foi nele que meu pai me disse que eu era o filho de um homem que tinha sido roubado, que a bolsa era uma armadilha desenhada para me manter do lado certo de uma guerra que começou antes de eu nascer, e que Sturm sabia de tudo.
Desliguei. Apaguei a tela. Guardo o telefone no bolso. O teleférico não se mexia. Eu não apertei o botão pra subir de novo. Eu só sentava. O banco de metal era o mesmo. A porta estava aberta. O frio entrava e saía. As estrelas acima não mudaram.
O que eu sentia? Não tinha nome pra isso. A raiva ainda não tinha chegado. O choque ainda não tinha acabado. A confusão ocupava o lugar onde as certezas moravam. E o silêncio? O silêncio estava cheio. O silêncio era o som de tudo o que eu pensava saber sendo reescrito em tempo real, palavra por palavra, ano por ano, enquanto eu sentava ali e não conseguia me levantar.
Alguém teria que decidir o que fazer. Mas eu não sabia quem. Ou melhor, eu não sabia qual versão de mim mesmo ia tomar essa decisão. O Bento que conhecia meu pai como mecânico ou o Bento que agora conhecia meu pai como o irmão de um homem que tinha roubado ele. As duas versões não cabiam no mesmo corpo. Ou cabiam? Não sabia.
Levantei. Desci do teleférico. Subi a escada. Cinquenta e dois degraus. Cada degrau era o mesmo. A escada não mudara. A diferença era eu. Eu que não era o mesmo. Os joelhos me falharam no trigésimo. Parei. Respirei. Continuei. Não havia volta. Não havia descida. Só subir. O gramado do Cume estava vazio. O banco lascado me esperava. Sentado.
Valentina não estava. Ou talvez estivesse, em algum lugar que eu não via. O Cume tinha mil portas. E cada porta abria uma sala que eu não conhecia.
Subi até o hall principal. As luzes estavam baixas. Ninguém circulava. A hora morta da colina, quando os dormitórios estão vazios e as escadas são as únicas coisas que fazem som. O hall era grande. Alto. Iluminado por lustres que eu nunca consegui pagar. O painel de seguidores estava desligado. Não havia números. Não havia posições. Não havia ninguém pra quem eu precisasse provar que existia.
E foi aí que eu a vi.
Valentina estava encostada na parede do fundo do hall, de braços cruzados, sem celular, sem postura, sem nada. Como se o hall fosse o último lugar do mundo onde ela poderia se esconder. Ela me viu. Não se moveu. Não disse nada. Eu me aproximei.
"Eu preciso te contar algo."
"Eu sei."
"Você sabe?"
"Sturm me chamou. Disse que você ligou pro seu pai. Não disse mais nada. Mas eu sei o que acontece quando você liga pro seu pai depois do que o Oráculo vazou sobre o D'Angelo."
A honestidade dela me pegou. Não pela informação. Pela forma como ela a deu. Sem cálculo. Sem filtro. Ela estava me entregando o que eu tinha acabado de me entregar a ela.
"Meu pai é irmão do Raffaello D'Angelo."
As palavras caíram no hall vazio. O lustre acima de nós tremia num vento que eu não sentia. Valentina não se mexeu. Mas os olhos dela foram direto pro meu. E ali, naquele olhar, eu vi que a raiva ainda não tinha chegado. Estava chegando.
"E o que mais?"
"O acordo que une meu pai e o pai do Vicente é baseado no silêncio sobre isso. Sturm sabia. Sturm sempre soube. A bolsa não é pra mim. É pra ele. É pra mantê-me aqui, jogando, no lado certo da guerra que meu pai e o Raffaelio estão travando há quarenta e cinco anos. E o Torneio Transalpeno é a arma."
Valentina recuou um passo. Não por medo. Por impacto. O hall era grande o suficiente pra absorver o movimento sem eco.
"E a mina de lítio dos Andes?"
"Meu pai e o Raffaello descobriram uma veia juntos. O Raffaello desapareceu com tudo. Meu pai ficou sem nada. Virou mecânico. Eu cresci achando que era filho de mecânico. E agora estou jogando futebol contra o filho do homem que me roubou. E o que você acha que isso significa pra qualquer coisa que a gente tenha construído?"
Valentina não respondeu. Ficou encostada na parede como tinha estado antes. O braço esquerdo cruzado sobre o peito. O direito, pendurado. A postura de quem está calculando.
"Você me contou."
"Fui ao teleférico e liguei pro meu pai. Ele me contou. E agora eu tenho que decidir o que fazer com isso."
"O que você vai fazer?"
"Eu não sei."
Valentina levantou o braço cruzado e apoiou a mão na têmpora. Um gesto que eu nunca tinha visto. Não era o gesto da Rainha da Colina. Era o gesto de alguém que não sabia mais em qual jogo estava.
"Antes de você contar a mim, o que você ia fazer?"
"Eu não ia contar nada. Eu ia jogar o torneio e ganhar. E depois eu voltava pro Rio."
"Andei."
"Eu sei."
"O que você faz agora?"
Eu não sabia. Não tinha resposta pronta. O que eu tinha era peso. Peso suficiente pra quebrar o que restava de qualquer ilusão sobre o Mont Blanc. Sturm sabia. A planilha de Sol sabia. Hugo e os túneis sabiam. Lulu sabia. O Oráculo, em algum lugar, sabia. Até a mina de lítio dos Andes sabia. Tudo era uma teia, e eu era o nó no centro.
"Preciso que você me ajude a decidir."
Valentina olhou pra mim. De verdade. Não por cima, como fazia sempre. Não com o olhar de quem analisa, de quem calcula, de quem mede. De quem simplesmente olha.
"Você tem um segredo maior do que a linhagem. O que mais tem aí?"
"O mesmo segredo que você tem. Só que o meu é de sangue. O seu é de escolha. E agora nós dois estamos no mesmo lado. Porque o inimigo não é o outro. É quem sempre esteve atrás de tudo."
Valentina se descolou da parede. Caminhou até mim. Parou a dois metros de distância. A distância que nenhum de nós tinha cruzado desde o gramado.
"Vamos até o Oratório."
O Oratório estava vazio. O mesmo cheiro de cera e de algo que eu não nomeava. Sturm não conserta o que funciona. As prateleiras da biblioteca permaneciam como sempre. Os livros antigos, classificados como "armamento intelectual", esperavam por alguém que nunca viria buscá-los.
Valentina sentou na cadeira de sempre. Eu sentei na de frente. A mesa entre nós era a mesma. O papel transparente, quando existia, era apenas um detalhe. O que importava era o espaço entre nós. O espaço que agora era o único lugar do mundo onde a verdade podia existir sem consequências imediatas.
"Eu vou te contar o resto."
"Eu sei."
"Meu pai não é o que eu pensei que era. E o Raffaello não é o que eu pensei que era. E Sturm é o que ele sempre foi: alguém que sabia tudo desde o início e nos colocou no jogo de propósito."
Valentina não disse nada. Esperou.
"Quando eu fui ao Oratório e vi o reflexo na janela, o que eu vi? Meu pai e o Raffaello sentados à mesma mesa. Com Sturm. Não foi acidental. Foi desenhado pra que eu visse. Sturm queria que eu soubesse. Não tudo. Suficiente pra me desestabilizar. Pra me tornar mais fácil de controlar."
"Você não se desestabilizou."
"Eu me desestabilizei. Só que não da forma que ele esperava. Eu não desabei. Eu calculei. E o que eu calculei foi que, se a linhagem é o que une meu pai e o Raffaello, então a linhagem é também a arma mais poderosa que eu tenho."
Valentina finalmente se mexeu. Cruzou as pernas. Mudou de posição pela primeira vez desde que sentou.
"Sturm nos quer jogando o torneio como se fosse real. Mas Sturm sabe que isso não é real. Sturm sabe que o Torneio Transalpeno é a alavanca de poder que ele está preparando. E o projeto de caridade? O projeto que nos juntou? Não foi pra nos salvar. Foi pra nos acorrentar. Cada minuto que passamos juntos no Projeto Alpino foi um minuto que Sturm usou pra nos tornar dependentes um do outro. Pra que quando a bomba explodisse, a gente não pudesse se separar."
"Mas explodiu."
"Já explodiu. A questão é quem controla os cacos."
Valentina se levantou. Caminhou até a janela do Oratório. Olhou pra lá de fora. Os Alpes. A noite. O Cume. A Base. O teleférico. O gramado. Tudo visível de lá. Tudo controlável.
"E o que vamos fazer?"
"Eu não sei."
"A gente não vai saber até decidir."
"Decidir o quê?"
"Decidir de que lado estamos."
O silêncio do Oratório pesou. Mas era diferente do silêncio do gramado. Lá, o silêncio era vazio. Aqui, o silêncio era cheio de palavras que não foram ditas ainda.
Alguém bateu. Não na porta do Oratório. Na parede. Três batidas ritmadas. Sturm. Sempre Sturm.
Eu e Valentina trocamos um olhar. Não era um olhar de aliados. Era um olhar de dois jogadores que finalmente viram o tabuleiro inteiro e descobriram que as peças eram menores do que pareciam.
A batida repetiu.
Valentina abriu a porta.
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